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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Uma Espia no Meu Passado, Lucinda Riley - Opinião

Sinopse: Côte d’Azur, 1998. Émilie lutou sempre contra o seu passado aristocrático. Agora, com a morte da mãe, é obrigada a confrontá-lo pois é a única herdeira do imponente castelo da família. Mas com a casa vem uma pesada dívida e muitas interrogações: qual era a finalidade do quarto secreto que descobre por baixo da adega? Quem é a misteriosa Sophia, que assina um comovente caderno de poemas? Quem foram os protagonistas da trágica paixão que mudou o curso da história da família?

Londres, 1943. Em plena Segunda Guerra Mundial, a inexperiente Constance Carruthers é recrutada pelos serviços de espionagem britânicos e enviada para Paris. Um incidente separa-a do seu contacto na Resistência Francesa, obrigando-a a refugiar-se junto de uma família aristocrata que entretém membros da elite de Hitler ao mesmo tempo que conspira para libertar o país. Numa cidade repleta de espiões e no auge da ocupação nazi, Constance vai ter de decidir a quem confiar o seu coração. Constance e Émilie estão separadas por meio século mas unidas por laços que resistiram à força demolidora do tempo. Os segredos que o passado encerra pulsam ainda em busca de redenção.

Opinião: Um livro fantástico com uma história contada a um ritmo que permite saborear todos os pormenores e vermos ao nosso lado tanto Émilie como Constance. Aliás, é a história desta última e a coragem da família aristocrata que a acompanha que consome a maior parte das páginas do livro.

Conhecemos a família aristocrata, o irmão que herdou o título e as propriedades e a irmã frágil cujo destino vai também ser marcado pela guerra... É de famílias como esta, que tinham tudo e que, mesmo assim, arriscaram ter um dupla face que conseguem sair grandes glórias e grandes batalhas vencidas, mesmo sob o olhar escrutinador de Hitler e dos seus subordinados.

Mas, um dia, a verdade é descoberta e a família tem de fugir, deixando para trás o elemento mais fraco. Mas Constance não desistiu e fez toda a diferença. A diferença que cada homem e cada mulher da resistência conseguiram fazer.

Um livro intenso e encantador, com emoções fortes e lembranças tristes mas, ao mesmo tempo, completamente arrebatador, um livro que aconselho a todos.
4,5*

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Mentiras Cruéis, Nora Roberts - Opinião

Sinopse: Eve Benedict é a última das grandes deusas do cinema, uma sex symbol de voz sensual premiada com dois Óscares, quatro maridos e uma legião de amantes. Não há segredo ou escândalo que desconheça. Agora, Eve decidiu escrever as suas memórias - revelando tudo e expondo todos.

Julia Summers é a biógrafa que Eve escolheu pessoalmente para relatar a sua história. Julia detesta o glamour de Beverly Hills, mas adora o seu trabalho - e o lar que construiu com o seu filho de dez anos que cria sozinha. Como poderia recusar esta oportunidade única? Mas o enteado de Eve, Paul Winthrop, desafiará a determinação de Eve em contar a sua história e a de Julia em preservar o seu coração. E à medida que Julia se apercebe até onde os inimigos de Eve estão dispostos a ir para que as suas memórias não sejam publicadas, também descobre que a deusa do cinema esconde um segredo terrível. Tão terrível que, mais do que mudar a vida de Julia, também lhe pode colocar um ponto final.

Opinião: Depois de ler "Fumo Azul" da mesma autora, sabia que podia esperar uma espécie de Danielle Steel mais madura e menos romanceada mas este livro é muito superior ao primeiro e prende da primeira à última página, fazendo-nos viver um turbilhão de emoções tanto com Julia como com Eve.

Eve é a diva per se, com todas as vontades a ser satisfeitas e um mordomo que lhe é completamente fiel mesmo quando os dias gloriosos já passaram e o passado espreita, tornando o risco de vida demasiado real.

Paul, o enteado de Eve, é um jovem que adora a madrasta e vê nela uma mãe. Quando Paul começa a ter sentimentos pela jornalista que veio escrever as memórias da estrela de cinema, Júlia tenta fugir ao amor e às armadilhas que ele pode trazer... O que Júlia não podia imaginar era que a sua vida estava interligada com aquele mundo de fantasia e opulência e que, por detrás de uma mulher vibrante como Eve, poderia estar um segredo capaz de destruir ambas...

Eve é uma personagem que enche a história desde as primeiras páginas. Nora Roberts soube construir uma narrativa de tirar o folêgo, ao mesmo tempo que nos apresenta personagens com um encanto e força desmesurados - Eve é uma força da natureza e, se um dia a sua vida foi atropelada pelo destino, hoje é ela que a controla e que faz andar as suas rotativas. Júlia é uma mulher interessante e decidida que não se permite tentar ser feliz pois o que viveu deixou-lhe marcas... chegou a este trabalho para poder ganhar mais algum dinheiro e estar longe de tudo com o filho... o que ela não sabia era que tinha sido escolhida a dedo e que os cordéis da sua vida estavam a ser habilmente manejados sem que ela o soubesse...

Um livro que é um hino ao glamour do cinema, à vida que nem sempre é como desejamos e, ao mesmo tempo, às trapalhadas do destino e às tentativas de outras pessoas decidirem por nós a nossa vida. Uma história de sucesso e de carinho mas também de enganos, perda e destruição.
4,5*

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Cruel Abandono, Penny Vincenzi - Opinião

Sinopse: Numa noite de 1986, uma bebé recém-nascida é encontrada abandonada no aeroporto de Heathrow. Goradas as investigações, a criança é entregue às autoridades e posteriormente adoptada.

Passados quinze anos, a bebé, Kate, é já uma bela adolescente, aspirante a modelo, que decide procurar a mãe biológica. Essa busca vai reunir três mulheres - Martha, Clio e Jocasta - que 16 anos antes se tinham conhecido, casualmente, durante uma viagem à Tailândia.

As três amigas têm agora vidas agitadas mas bem-sucedidas, cheias de preocupações profissionais e de relações amorosas nem sempre fáceis. Martha continua solteira e é uma advogada de sucesso; Clio é uma médica presa a um casamento falhado; Jocasta é uma jornalista apaixonada por um homem com pavor dos compromissos.

Kate irá concretizar o seu desejo de conhecer a mãe biológica, mas isso obrigará a que seja revelado um segredo que uma das mulheres guardara ciosamente ao longo de todos esses anos...

Opinião: Penny Vincenzi regressou de forma triunfal às minhas leituras. Este livro vale a pena, é complexo e intrincado, fala de opções de vida, de loucuras da juventude e das suas repercussões e consequências que, muitas vezes, deixam cicatrizes para toda a vida.

A viagem idílica das três adolescentes que se conheceram na Tailândia e foram, durante algum tempo, companheiras de viagem, esconde um terrível segredo, o peso de uma quase morte e a desilusão por não terem percebido e ajudado a amiga... mas qual delas esteve nesta situação?

Ao longo do livro somos lançados habilmente de uma rapariga para outra pela mão da autora, tentando perceber qual delas será a mãe de Kate. Percebemos ainda a terrível interrupção que esta investigação faz na vida das três amigas. Elas afastaram-se depois da viagem e hoje escondem-se por detrás de realidades que parecem perfeitas mas onde a tristeza impera...

Quando Kate descobre a verdade, alguns passos terão de ser dados... e pode ser tarde demais pois mais uma tragédia se abate sobre a história. Um livro que aconselho vivamente.

4*

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Recordação Perigosa, Mary Higgins Clark - Opinião

Sinopse: No centro deste romance está Kay Lansing filha de um paisagista da poderosa família Carrington. A mansão da família tem uma capela secreta e um dia Kay com 6 anos descobre a capela. Aí ouve uma discussão entre um homem e uma mulher. O homem chantageia a mulher e diz-lhe que será a última vez. Nessa mesma noite numa festa dada pela família desaparece uma convidada...

Opinião: O livro foi a minha estreia com Mary Higgins Clark e devo dizer que me frustrou as expectativas... de tanto ouvir falar nesta autora, tinha as expectativas tão elevadas que o livro não conseguiu estar à altura. Mas quanto mais tempo passa, mais penso na história e na mestria da autora e mais gosto do livro. É, efectivamente, um dos melhores que li até hoje na categoria de suspense/ thriller. A verdade é que este tipo de livros não me seduz muito mas também são poucos os livros que não me saem da cabeça e este é um deles.

A vida de Kay vai encontrar-se com o filho da família Carrington e ela passará todo o livro a temer ter casado com um assassino, ao mesmo tempo que acredita que o homem por quem se apaixonou nunca seria capaz de fazer algo assim... ou seria?

A cada passo que avançamos na história, conseguimos entrar na personagem de Kay e sentimos o impasse, as suas dúvidas e temor... a escrita de Mary Higgins Clark passa todas estas emoções para o leitor. Em cada momento, tememos por Kay mas, ao mesmo tempo, queremos seguir avidamente a história e perceber se ela está rodeada de amigos ou de inimigos que a podem colocar em risco... dentro da sua própria casa!

Um livro que recomendo a todos os amantes de suspense/ thriller e também a quem quiser conhecer uma nova e muito interessante autora.
4*

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Menina Rica, Menina Pobre, Joanna Rees - Opinião

Sinopse: Duas irmãs. Dois destinos selados pelo atirar de uma moeda.

Thea e Romy são duas lindas bebés cujo futuro é ditado por uma moeda atirada ao ar. Separadas e vendidas na calada da noite, os seus destinos não podiam ser mais diferentes. Thea é enviada para os Estados Unidos, onde a espera uma vida de privilégio e luxo. Romy é internada num violento e degradado orfanato na Alemanha de Leste. Embora vivam em continentes diferentes, os seus caminhos vão cruzar-se ao longo dos anos, sem que nenhuma conheça a identidade da outra. Mas os seus mundos acabarão por colidir um dia, com consequências impossíveis de prever...

Opinião: Uma história que desde o primeiro momento nos faz sentir o coração apertado... duas bebés vendidas, na calada da noite, tratadas como objectos... uma deles tratada com lixo... duas irmãs separadas pela crueldade do mundo. Joanna Rees desvenda esta história passando pela realidade da exploração infantil, prostituição, drogas mas também pela moda e alta finança e pela solidão e tristeza que o mundo da riqueza também pode encerrar.

Thea é enviada para a América, sendo adoptada por um casal rico e Romy é levada para Schwedt na Alemanha de Leste. A história está dividida entre capítulos para Thea e capítulos para Romy. Seguimo-las e vamos vendo as suas vidas a desenrolarem-se, a serem injustiçadas, a passarem uma pela outra, por pessoas conhecidas e nunca se encontrarem... Um dia tudo muda e, face a uma tragédia iminente, com tudo o que lhes é mais querido em jogo, elas têm apenas duas opções: destruírem-se mutuamente ou unirem-se, arriscando as próprias vidas, para descobrir a chocante verdade sobre o seu passado.

De Londres a Nova Iorque, passando pela Alemanha de Leste e Caraíbas, esta é a história da força dos laços de sangue, da força de vontade de alcançar algo mais e até da força do amor e da integridade. Joanna Rees tem uma escrita poderosa, capaz de nos transportar para o seu mundo e nos fazer sentir na pele tudo o que acontece a estas crianças.

Este livro foi a minha estreia com a autora e também o primeiro livro publicado pela Asa. Posso dizer que adorei! Vou seguir atentamente o trabalho de Joanna Rees pois fiquei com muita vontade de continuar a ler livros dela. A autora escreveu o seu primeiro romance em 1997, com o seu nome de solteira, Josie Lloyd. Escreveu também vários bestsellers com o romancista Emlyn Rees, com quem casou. Em 2007 voltou a escrever sozinha.
4,5*

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Nome de Código: Leoparda, Ken Follett - Opinião

Sinopse: Cinquenta mulheres foram enviadas para França como agentes secretas pelo executivo de operações especiais durante a segunda guerra mundial.

Trinta e seis sobreviveram à guerra.
As outras catorze deram as suas vidas.

Maio de 1944, duas semanas antes do Dia D: a Resistência francesa empreendeu um ataque falhado a um castelo que alberga uma central telefónica alemã, vital para os movimentos das suas tropas. Impõem-se medidas drásticas e Flick Clairet, uma jovem agente britânica, surge com um plano ousado: lançar-se de pára-quedas, em França, acompanhada por uma equipa exclusivamente feminina (Jackdaws). Objectivo: disfarçarem-se de empregadas de limpeza francesas e... entrarem no castelo. Delirante ou não, o plano parece ser a única alternativa. O certo é que Rommel nomeou o implacável coronel Dieter Franck para esmagar a Resistência francesa. E ele já tem o seu primeiro alvo: Flick Clairet...

Opinião: Este livro de Ken Follett volta a recordar-nos a mestria do escritor quer em escrever sobre períodos históricos conturbados, quer em escrever thrillers de suspense/ conspiração/ acção que queremos seguir até ao último minuto. Para além disso, Follett focou-se agora num grupo de agentes do sexo feminino enviado para França para chegarem onde nenhum homem se conseguiria infiltrar ou, pelo menos, nenhum grupo de homens conseguiria fazê-lo.

Estamos a duas semanas do desembarque dos aliados na Normandia e é vital que os nazis não desconfiem do plano e, caso dalgum desconfie, não o possa transmitir a mais ninguém.

A correr contra o tempo, Flick tem de aceitar a missão e, em poucas horas, encontrar 6 mulheres, que não podiam ser mais diferente entre si. Estas agentes terão de ser especializadas em diversos campos: pelo menos uma que saiba lidar com explosivos, uma engenheira electrotécnica e todas a perceberem de armas e identidades falsas, cair de para-quedas, e, acima de tudo, lidar com a pressão e o terror da constante perseguição da Gestapo, com a muito provável hipótese de serem capturadas e torturadas até à morte.

O recrutamento é feito com candidatas que tinham recusadas pelos serviços secretos e serão estas mulheres que Flick terá de treinar, em dois dias. Diana, Greta, Ruby, Jelly e Maude serão as companheiras da missão mais importante e perigosa da sua vida: sabotar uma central de comunicações nazi. A estas mulheres foi pedido que abandonassem o país e lutassem pela causa. Um grupo heterogéneo que viria a funcionar melhor do que se pensava mas que estava mais mal preparado do que se parecia...

Uma história de mulheres fortes, determinadas, inseguras por vezes, mas que nunca desistiram da sua missão.

O livro é baseado em factos verídicos e uma homenagem às mulheres, principalmente àquelas que não regressaram da missão e também a todas que nunca tiveram o reconhecimento merecido. A personagem de Flick foi construída a partir da história de Pearl Witherington membro do EOE (Executivo de Operações Especiais). Estas agentes nunca tiveram condecorações pois as mulheres não as recebiam. Pearl foi agraciada com o título de membro civil da Ordem do Império Britânico mas recusou, indicando que o seu papel não tinha sido civil.

Uma leitura alucinante, com pormenores interessantes e uma história que nos leva a segurar a respiração pois a mínima falha pode levar à morte...
4,5*

quarta-feira, 26 de março de 2014

O Grande Amor da Minha Vida, Paullina Simons - Opinião

Sinopse: Tatiana vive com a família em Leninegrado. A Rússia foi flagelada pela revolução, mas a cidade mais cosmopolita do país guarda ainda memórias do glamour do passado.

Bela e vibrante, Tatiana não deixa que o dramatismo que a rodeia a impeça de sonhar com um futuro melhor. Mas este será o pior e o melhor dia da sua vida. O dia fatídico em que Hitler invade a Rússia. O dia assombroso em que conhece aquele que será o seu grande e único amor. Quando Tatiana e Alexander se cruzam na rua, a atração é imediata. Ambos sabem que as suas vidas nunca mais serão as mesmas.

Ingénua e inexperiente, Tatiana aprende com o jovem soldado os prazeres da paixão e da sensualidade. Atormentado pela guerra e pela incerteza quanto ao futuro, Alexander descobre a doçura dos afetos. E, enquanto as bombas caem sobre Leninegrado, eles vivem um amor que sabem ser eterno mas impossível. É um amor que pode destruir a família de Tatiana. Um amor que pode significar a morte de todos os que os rodeiam. Ameaçados pela implacável máquina de guerra nazi e pelo desumano regime soviético, Tatiana e Alexander são arremessados para o vórtice da História, naquele que será o ponto de viragem do século XX e que moldará o mundo moderno.

Opinião: Este livro é o primeiro da trilogia Tatiana & Alexander de Paullina Simons. É um livro intenso, cheio de crueldade, miséria e fome mas, ao mesmo tempo, transbordante de paixão, de amor e da importância da família. É um livro que não apetece deixar, queremos ir atrás de Tatiana e Alexander e saber o que foi feito deles, até porque a história pára numa noite fatídica em que Alexander teve de tomar uma decisão difícil... para que Tatiana possa sobreviver. 

Tatiana é uma rapariga forjada nos valores familiares, no respeito aos pais, no amor pela irmã e na impossibilidade de ver a sua vida caminhar por cima dos destroços familiares. Mas na Rússia invadida pelo regime de Hitler tudo é possível e Tatiana terá que ser mais forte do que nunca para conseguir sobreviver ao regime. Conhecemos uma Rússia onde o frio se entranha e mata mais do que se julgava possível...

Este livro mostra um lado para onde poucos querem olhar, o lado de um país a ser invadido por outro, o lado das famílias a morrer à fome com o que as senhas de racionamento autorizavam que trouxessem para casa, uma casa de paredes despidas, aquecida apenas com os corações de quem nela habita.

Alexander é oficial e, por isso, tem direito a uma maior quantidade de alimentos do que Tatiana e a sua família. E é com o que ele traz que a família vai conseguir não morrer à fome. Mas, aos poucos, a família de Tatiana começa a desaparecer até restar apenas a sua irmã. E Tatiana não vai conseguir passar por cima dela para conseguir o que o coração clama que alcance. Quando perde o último laço familiar, Tatiana vai ter de lidar com o mundo sozinha, já há muito que estava longe de Alexander, ele fazia parte de um passado distante, um passado em que existiam gelados, amor e felicidade...

O incrível acontece: Alexander encontra-a e vão viver os dias mais felizes das suas vidas mas a História, também ela, deu demasiado destaque a pessoas egoístas, o regime nazi enalteceu-as e deu-lhes autorização para fazer o que quisessem. Será uma pessoa dessas, incendiada com o que Alexander consegue alcançar e ele próprio não consegue, que vai atirar a felicidade deles pela janela de uma ambulância...

A Tatiana que deixa Alexander não é a Tatiana do início do livro mas a sua força sempre esteve lá e é agora muito maior... terá também de ser o suficiente para mantê-la viva.

Este foi daqueles livros que me deixaram muito chateada de não ter o livro seguinte à mão. É um livro enorme mas que se lê bem, que se devora porque não se consegue largar. O 2º livro desta trilogia de Paullina Simons será lançado no próximo dia 1 de Abril. A não perder!
5*

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

As Raparigas da Villa, Nicky Pellegrino - Opinião

Sinopse: Quatro amigas, um pacto, e umas férias que mudarão as suas vidas para sempre…

Rosie, Addolorata, Toni e Lou: onde quer que estejam, estas quatro amigas cumprem sempre o pacto que fizeram quando eram ainda colegas de escola. Apesar de terem seguido rumos muito diferentes, todos os anos se reúnem para passar férias num destino paradisíaco. Entre confissões, romances e pura evasão, os lânguidos dias passados ao sol em encantadoras villas são-lhes imprescindíveis. Lou é insegura e debate-se permanentemente com os seus sonhos e expectativas. A inconveniente Toni encontrou no jornalismo uma carreira à sua medida mas as suas escolhas pessoais parecem ser uma eterna fonte de problemas. Como boa filha de italianos, a extrovertida Addoloratta, gosta de partilhar o seu amor pela vida. Será ela a salvar Rosie da solidão em que vivia desde a morte dos pais e a incluí-la neste grupo de amigas. Inesperadamente, será a tímida Rosie quem vai ver o seu futuro mudar mais radicalmente graças ao pacto… e a um sensual italiano chamado Enzo.

Opinião: Foi a primeira vez que li Nicky Pellegrino e fiquei encantada com a história e com a sua forma de escrever.

Este livro é leve, fresco, tem sabor a Verão e dá vontade de o saborear devagar mas, ao mesmo tempo, queremos acompanhar as quatro raparigas e saber como termina esta aventura. 

Rosie começa por ser uma rapariga tímida, que não pertence ao grupo das mais populares e que está à margem do mesmo. Um dia Addolorata, espontânea como é, acaba por convidá-la para se juntar ao grupo nas férias que irão fazer. E Rosie hesita mas acaba por ir, apesar de saber que não pertence àquele grupo, passar uns dias junto ao mar é mesmo do que está a precisar.

A pouco e pouco Rosie vai conquistando as suas amigas embora uma delas nunca se aproxime. Mas no final daquelas férias elas fazem um pacto e passarão a encontrar-se anualmente para umas férias juntas. É numa dessas férias que as encontramos novamente, vários anos e vivências depois. Nem todas estão como gostariam mas todas trilharam um caminho e aquelas férias vai levá-las a outro.

No meio de tudo isto, temos a costa italiana, a beleza e a história da azeitona (quase podia ser Portugal), as conversas altas dos italianos e a sua forma genuína de ser. É na costa italiana que uma delas conhece o amor mas também o que pensa ser uma grande mentira.

Voltamos a encontrar as quatro amigas, pela terceira vez, uns anos (não muitos) depois e alguém terá que dar o primeiro passo para não deixar fugir o amor da sua vida... será que alguém vai dá-lo? Será que vale a pena? Será que vai ser possível renunciar a uma vida inteira e a todas as suas experiências no seu país de origem?

Uma história de emoções, de beleza e de aprendizagem sobre o ser humano e sobre o sofrimento camuflado. Acho que não preciso de dizer o porquê da nota que lhe dei ;)

4*

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A Rainha Vermelha, Philippa Gregory - Opinião

Sinopse: Herdeira da rosa vermelha de Lancaster, Margarida vê as suas ambições frustradas quando descobre que a mãe a quer enviar para um casamento sem amor no País de Gales. Casada com um homem que tem o dobro da sua idade, depressa enviúva, sendo mãe aos catorze anos. Margarida está determinada em fazer com que o seu filho suba ao trono da Inglaterra, sem olhar aos problemas que isso lhe possa trazer a si, à Inglaterra e ao jovem rapaz. Ignorando herdeiros rivais e o poder desmedido da dinastia de York, dá ao filho o nome Henrique, como o rei, envia-o para o exílio, e propõe o seu casamento com a filha da sua inimiga, Isabel de York.

Acompanhando as alterações das correntes políticas, Margarida traça o seu próprio caminho com outro casamento sem amor, com alianças traiçoeiras e planos secretos. Viúva pela segunda vez, Margarida casa com o impiedoso e desleal Lorde Stanley. Acreditando que ele a vai apoiar, torna-se o cérebro de uma das maiores revoltas da época, sabendo sempre que o filho, já crescido, recrutou um exército e espera agora pela oportunidade de conquistar o prémio maior.

Opinião: Este livro é o 2º da saga "Guerra dos Primos" de Philippa Gregory mas é o que acontece em 3º pelo que foi por essa ordem que foi lido.

"A Rainha Vermelha" é a história da rainha que queria ter tomado o trono. É também a história de uma mulher desmesuradamente católica (ou meio louca) e da forma como ela olha para o rei da casa de Yorque e para a sua "Rainha Branca". Para ela, eles não passam de usurpadores e deveria ter sido o seu filho a ser aclamado rei, até porque Deus a favorece e já lhe disse que seria isso que iria acontecer.

Este livro tem dois grandes problemas para mim, apesar da escrita de Philippa Gregory continuar irrepreensivível, por um lado relata a história do ponto de vista de uma personagem algo alucinada e com a qual o leitor não cria empatia (pelo menos eu nunca consegui estar do lado dela) e por outro eu estava à espera de um avanço temporal na história em relação ao livro "A Rainha Branca" e esse avanço praticamente não aconteceu, esta história acontece em paralelo à do anterior livro, vista apenas do ponto de vista de outra personagem e o pouco que avança não é quase nada, pelo menos nada que não soubéssemos já do anterior livro.

A história anda muitas vezes em volta do catolicismo de Margarida versus a bruxaria da Jacquetta e esse é outro ponto que é difícil de ultrapassar. Esta mulher chateia tanto que não há quem a aguente. Aliás, num tempo em que as mulheres nada mandavam, ela manda demasiado na sua casa, mesmo nunca tendo conseguido mandar na sua vida para seguir o seu coração. Sim, porque esta mulher também foi obrigada a casar - foi a única altura em que me senti próxima desta personagem e tentei entender a sua necessidade de que alguma coisa corresse como queria - mas as suas constantes medidas desesperadas para alcançar o trono, não olhando a meios, fizeram com que me voltasse a distanciar.

Devo salientar que o livro é bom, lê-se quase tão bem como os outros embora a vontade seja quebrada por esta personagem que nada tem de carismática. Para mim, teria sido melhor pegar no seu filho para continuar a história e deixar esta mãe histericamente católica reduzida a nada. Ainda assim, pela revolta que provocou na altura em que viveu, percebo o porquê de a autora lhe ter dedicado um livro. De qualquer forma, até ao momento, este é o único livro da colecção "A Guerra dos Primos" que já deixou a minha estante.

Quero ainda dizer que, se não lerem este livro, não perdem nada de muito relevante pois já conhecemos a personagem do ponto de vista da família York e Woodville. 

Se lerem o livro, estarão a acrescentar um interessante detalhe sobre pessoas que se dizem católicas mas em que tudo o que fazem leva à negação do que acredito ser o catolicismo. É, aliás, a pensamentos e acções de pessoas assim que se deve a morte em fogueiras de mulheres apelidadas de bruxas.

3,5*
Outros títulos desta saga:
"A Senhora dos Rios" (Saga Guerra dos Primos Livro 3 (mas acontece como se fosse o 1))
"A Rainha Branca" (Saga Guerra dos Primos Livro 1)

sábado, 8 de fevereiro de 2014

A Rainha Branca, Philippa Gregory - Opinião

Sinopse: Autora de best-sellers internacionais, Philippa Gregory dá vida a este drama de família através das suas mulheres, começando com a história de Isabel Woodville, a Rainha Branca.
"A Rainha Branca" é a história de uma plebeia que ascende à realeza servindo-se da sua beleza, uma mulher que revela estar à altura das exigências da sua posição social e que luta tenazmente pelo sucesso da sua família, uma mulher cujos dois filhos estarão no centro de um mistério que há séculos intriga os historiadores: o desaparecimento dos dois príncipes, filhos de Eduardo IV, na Torre.
Através da sua visão única, Philippa Gregory explora o maior mistério até hoje por resolver, baseando-se numa investigação perfeita e recorrendo ao seu inimitável talento como contadora de histórias.

Opinião: Este livro é o 1º da trilogia "Guerra dos Primos" de Philippa Gregory. No entanto, e tal como indiquei anteriormente, cronologicamente é o que acontece em 2º pelo que foi nessa ordem que o li.

"A Rainha Branca" é o apogeu da trilogia "A Guerra dos Primos" - trilogia que entretanto se tornou saga pois já existe o 4º livro "A Filha do Conspirador" e estão previstos, pelo menos, mais 2 livros.

Ao ler primeiro o livro "A Senhora dos Rios" já conhecia Isabel e foi assim que a história mais me fez sentido. Conheci primeiro a força, a magia e a integridade da mãe para depois conhecer esta filha que Philippa Gregory descreve neste livro não como "ardilosa" mas como uma mulher que luta pelo que é seu e que poderá vir a pagar um preço alto demais por se ter apaixonado.

O texto de Philippa é carregado de tensão, de descobertas, da roda da fortuna que continua a girar, de amor, de intrigas, de tudo o que numa corte se prevê que exista. A família de Isabel, a par do seu amor pelo rei, são os pilares que a mantêm viva e forte num reino em que muitos não a desejam. Um tio com sede de poder é o seu maior inimigo, ele é "o fazedor de reis" e pode não estar satisfeito enquanto não sentar no trono um novo rei que lhe dê mais ouvidos e que avance apenas ao som dos seus desejos.

A força desta mulher mostra que ela é da mesma fibra que a sua mãe. Isso faz com que passe corajamente pelos piores momentos mas faz também com que lhe desejem muito mal. A história acaba de uma forma brutal, com o desaparecimento dos príncipes, algo horrível para uma mãe viver... mas será que desapareceram mesmo?
4,5*

Outros títulos desta saga:
"A Senhora dos Rios" (Saga Guerra dos Primos Livro 3 (mas acontece como se fosse o 1))
"A Rainha Vermelha"  (Saga Guerra dos Primos Livro 2)

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

A Senhora dos Rios, Philippa Gregory - Opinião

Sinopse: Jacquetta é casada com o Duque de Bedford, regente inglês da França, que lhe dá a conhecer um mundo misterioso de conhecimento e de alquimia. O único amigo de Jacquetta é o escudeiro do duque, Ricardo Woodville, que está a seu lado quando a morte do duque faz dela uma viúva jovem e rica. Os dois tornam-se amantes e casam em segredo, regressando à Inglaterra para servir na corte do jovem monarca Henrique VI, onde Jacquetta vem a ser uma amiga próxima e leal da sua nova rainha. Depressa os Woodville conquistam uma posição no núcleo da corte de Lencastre, apesar de Jacquetta pressentir a crescente ameaça vinda do povo da Inglaterra e o perigo de rivais pretendentes ao trono. Mas nem a coragem e a lealdade dos Woodville bastam para manter no trono a Casa de Lencastre. Jacquetta luta pelo seu rei, pela sua rainha e pela sua filha Isabel, para quem prevê um futuro extraordinário e surpreendente: uma mudança de destino, o trono da Inglaterra e a rosa branca de Iorque

Opinião: Este livro é o 3º da saga "Guerra dos Primos" de Philippa Gregory. No entanto, em termos cronológicos acontece primeiro que as outras histórias e, seguindo os conselhos de vários blogues por essa blogosfera fora, decidi começar a trilogia por ele.

O pior de começar pelo livro que foi escrito por último é que, logo no início, ficamos a conhecer algumas coisas que só acontecerão no seu final, o que tira um pouco de suspense e força à história. De qualquer forma, não me arrependi de ter começado por ele pois fez-me todo o sentido seguir esta ordem da narrativa.

Devo dizer ainda que este foi o 1º livro de Philippa Gregory que li e fiquei apaixonada pela sua obra. A autora é mestre em obras históricas e esta trilogia é prova disso. A linguagem é coerente com a época, os costumes que associam remédios a bruxaria também e é muito interessante seguir esta história e perceber de onde vem aquela que será apelidada de "Rainha Branca" e como a "roda da fortuna gira", como diz Jacquetta. Um dia estamos no nosso auge, no dia seguinte caímos em desgraça. Conhecemos neste livro Jacquetta e o seu valente marido, o amor que os liga e a educação que foi dada aos seus filhos. Conhecemos também a rainha que governava então o país por meio de um rei que não mandava muito, que era traído e que um dia enlouqueceu... mas a casa de Iorque estava à espera desse momento e é essa história que vamos seguir no livro seguinte.

Posso dizer que adorei a escrita, adorei a história, senti-me transportada para aqueles castelos, para a mesquinhez da corte e para os pensamentos tacanhos da época. Sofri com Jacquetta, até porque quem vê o futuro, também sofre por antecipação. E a roda da fortuna não pára de girar...
4,5*
Outros títulos desta saga:
"A Rainha Branca" (Saga Guerra dos Primos Livro 1)
"A Rainha Vermelha" (Saga Guerra dos Primos Livro 2)